Torres de transmissão projetadas para resistir a 150 km/h caíram no Sul gaúcho na semana passada. O El Niño não chegou nem na metade da força que os modelos climáticos projetam para outubro e dezembro. O que vem a seguir é mais intenso, e a janela de preparação é menor do que parece.
Na quinta-feira, 6 de agosto, um ciclone cruzou o Rio Grande do Sul com ventos de até 134 km/h em General Câmara e 132 km/h em Porto Alegre. A passagem derrubou 26 torres de transmissão de energia, sendo duas delas projetadas para suportar rajadas de até 150 km/h, que caíram dentro da Lagoa Mirim, no extremo sul do estado, segundo a MetSul Meteorologia. Mais de 90 profissionais atuaram na recuperação da infraestrutura nos dias seguintes.
O episódio não foi um evento isolado fora do padrão. Foi a mais recente manifestação de um fenômeno que, segundo a análise da MetSul publicada em 4 de agosto de 2026, ainda está longe do seu pico.
Nesse artigo, você vai entender o que mudou no El Niño desde o último update de julho, o que os dados da NOAA indicam para os próximos meses, o que está previsto para cada região do Brasil e o que sua empresa ainda pode fazer antes que o cenário piore.
El Niño: o que mudou desde a última edição
Forte pelos dois critérios, e acelerando
Desde o último update de 4 de agosto, o El Niño seguiu se intensificando. Segundo análise da MetSul Meteorologia publicada em 4 de agosto, o fenômeno atingiu intensidade ao menos forte pelos dois índices oficiais da NOAA: pelo ONI tradicional, a anomalia chegou a +2,3°C, patamar de Super El Niño; pelo novo índice relativo RONI, a +1,5°C, piso da categoria forte. Junto ao litoral do Peru e do Equador, as anomalias chegaram a +4,1°C pelo ONI, classificadas como extraordinárias.
O que diferencia este episódio de todos os anteriores não é a intensidade atual, mas a antecipação. O patamar de Super El Niño foi atingido na semana de 8 de julho, dois a quatro meses antes do que qualquer episódio comparável registrado desde 1850. Nos Super El Niños de 1982 e 1997, o mesmo limiar só foi cruzado em novembro e setembro, respectivamente. O pico previsto ainda está entre outubro e dezembro.
→ Leia a análise completa da MetSul
O ciclone de agosto e o que ele revelou sobre infraestrutura
Torres projetadas para 150 km/h caíram no Sul gaúcho
Na quinta-feira, 6 de agosto, um ciclone cruzou o Rio Grande do Sul com rajadas de até 134 km/h em General Câmara e 132 km/h em Porto Alegre, segundo levantamento da MetSul. A passagem derrubou 26 torres de transmissão de energia. Duas delas caíram dentro da Lagoa Mirim, no extremo sul do estado: estruturas projetadas para suportar ventos de até 150 km/h, tombadas por ventos nominalmente inferiores a esse limite.
A MetSul explica que microexplosões e mudanças bruscas de direção podem produzir cargas assimétricas que superam os limites de projeto mesmo quando a velocidade nominal fica abaixo do limite calculado. Mais de 90 profissionais da CEEE Equatorial e da Axia Energia atuaram na recuperação ao longo dos dias seguintes. As operações de helicóptero foram interrompidas em alguns momentos pela continuidade dos ventos na região.
Para quem opera patrimônio, telhados industriais ou galpões no Sul do Brasil, o episódio é referência concreta: infraestrutura dentro dos parâmetros históricos pode se mostrar insuficiente em eventos que estão se tornando mais frequentes e intensos sob o El Niño de 2026.
→ Leia na MetSul: Vento derrubou torres projetadas para resistir a até 150 km/h
Extremos simultâneos: -3°C e 41°C no mesmo dia no Brasil
Esta semana, o Brasil registrou simultaneamente temperaturas de -3,5°C em Soledade (RS) e de 41°C em regiões do Norte e Centro-Oeste, segundo análise da MetSul. A assimetria não é coincidência: é o padrão que o El Niño produz no país, com excesso de instabilidade no Sul e calor extremo no Centro-Norte.
No Rio Grande do Sul, este é o 39° dia do ano com mínimas abaixo de zero, após um intervalo de 25 dias sem marcas negativas. A combinação de frio intenso e frentes de instabilidade frequentes caracteriza exatamente o padrão de variabilidade que a MetSul havia projetado para a segunda metade do inverno.
→ Leia na MetSul: Brasil tem extremos de frio de -3°C e calor de 41°C no mesmo dia
O que esperar para os próximos dias?
Nova virada com chuva e granizo a partir desta terça
O tempo muda no Rio Grande do Sul a partir desta terça-feira (12), com uma frente quente que se converte em frente fria ao longo da semana, segundo previsão da MetSul assinada pela meteorologista Estael Sias. Os dois dias de maior instabilidade devem ser terça e quinta-feira, com risco de granizo isolado e chuva forte em Porto Alegre. O risco de vendaval é menor do que na semana passada, quando o ciclone cruzou o estado.
Sul: chuva na maior parte do estado entre terça e quinta. Maior risco de granizo isolado durante os períodos de instabilidade mais intensa. Melhora prevista na sexta, com retorno do sol acompanhado de nuvens.
Sudeste: frente fria leva chuva a São Paulo, Centro-Sul de Minas Gerais e ao Rio de Janeiro ainda esta semana. Demais áreas com precipitação escassa.
Centro-Oeste: seco na maior parte da região, como é comum em agosto. Exceção para o Mato Grosso do Sul e o Sul de Goiás.
Norte e Nordeste: precipitação baixa, com exceção dos litorais da Paraíba e do Rio Grande do Norte.
→ Leia a previsão completa da MetSul
Radar de Riscos
1. El Niño atinge forte intensidade pelos dois critérios da NOAA (MetSul Meteorologia, 04/08/2026)
O patamar de Super El Niño pelo ONI foi atingido na semana de 8 de julho, o mais precoce dos registros modernos. O pico ainda está entre outubro e dezembro. O que isso significa para quem gerencia risco: a janela de revisão de coberturas climáticas segue encurtando. O que ainda não aconteceu é mais intenso do que o que já foi visto.
2. Ciclone derrubou torres de transmissão no extremo Sul gaúcho (MetSul Meteorologia, 10/08/2026)
Duas torres que caíram na Lagoa Mirim eram projetadas para resistir a ventos de até 150 km/h. Rajadas de 134 km/h as derrubaram. O que isso significa: parâmetros históricos de projeto podem não refletir a nova frequência de eventos extremos. Para empresas com infraestrutura exposta ao vento no Sul do Brasil, a revisão de cobertura patrimonial e de interrupção de negócios precisa considerar esse novo padrão, não o histórico de décadas anteriores.
3. Brasil registrou -3°C e 41°C no mesmo dia (MetSul Meteorologia, 11/08/2026)
A assimetria climática entre Sul e Centro-Norte, característica estrutural do El Niño, está se manifestando em tempo real. O que isso significa: operações com unidades em diferentes regiões do país enfrentam exposições simultâneas de natureza oposta. Revisão de programa com visão regional integrada é mais eficaz do que apólice por unidade isolada.
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Aqui na REP
A gravação do REP Talks | Super El Niño 2026, realizado em 8 de julho com mais de 200 participantes, segue disponível. Os prognósticos apresentados pela meteorologista Estael Sias têm sido confirmados semana a semana: intensificação do fenômeno, episódios de chuva acima da média no Sul e eventos severos já antes do pico. O episódio da semana passada, com o ciclone e as torres derrubadas no extremo Sul gaúcho, é exatamente o padrão de risco que ela descreveu ao vivo no evento.


